Indefinições





POETANDO… IV – BOCA

Cats: Indefinições

Sun - 30 May 2010 - 04:28 PM

Trabalhando com metáforas em um poema não discursivo… Ô dificuldade! Mas vamos lá… rs

BOCA

Sente fome,
Anseia vida.
Prefere doce,
Deseja saliva.
Fala emoção,
Canta desejo.
Grita dor,
Sussurra beijo.
Deleita carne,
Geme gente.
Chupa língua,
Roça dente.
Prova pele,
Degusta água.
Toma leite,
Come mágoa.
Cobiça corpo,
Saboreia mordida.
Petisca raiva,
Desfruta ferida.
Vomita fofoca,
Regurgita alegria.
Arrota discurso,
Cospe melodia.
Mastiga almoço,
Morde brigadeiro.
Sopra sonho,
Mói canteiro.
Bebe suor,
Beija vinho.
Lambe grito,
Experimenta carinho.
Entra mosca,
Sai palavra.
É buraco,
Termina fechada.


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POETANDO… II – SOL

Cats: Indefinições

Wed - 14 Apr 2010 - 11:03 PM

SOL

Passa hora, passa dia,
Passa ano, passa vida.
É sempre menos tempo…
É sempre mais partida.

Tudo muda, se transforma,
Perde o brilho e faz temida
A morte de tudo que vive -
Ao nascer, já garantida.

Brilhas alto e implacável,
Estrela forte, densa e viva,
Necessária, admirada,
Em si mesma consumida.

Observas, solitário,
A vida à morte remetida:
Apesar de tua luz,
Tudo passa. Mas tu, ficas.

Novo exercício do meu curso de criação literária… Dessa vez foram 4 poemas em uma semana. :-)

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PESSOAS OU PERSONAGENS? – PARTE II – HORÁCIO, O FILÓSOFO

Cats: Indefinições

Sun - 02 May 2004 - 07:14 PM

PESSOAS OU PERSONAGENS? – PARTE II – HORÁCIO, O FILÓSOFO




Meu pai era um homem muito complicado, e a relação dele com a minha mãe, complicada ao cubo. Há muitas más ( más não, péssimas ) lembranças do rolo que foi a nossa família quando eu e meu irmão do meio éramos pequenos. Muita mágoa, muita briga, muitos machucados. Mas com o tempo, a maturidade e a cura de certas feridas… Comecei a ver o que de bom dele tinha ficado comigo, lembranças que tinham simplesmente sumido durante a minha adolescência. E, fora os carinhos, os sorvetes, as brincadeiras, as fotos e tudo o mais, uma das melhores coisas que meu pai me trouxe foram os gibis da Turma da Mônica.

Ele trabalhava com os fotógrafos da Editora Abril, na Revista Placar. Ajudava a organizar o acervo de fotos, escolhia algumas de acordo com a matéria, e ajudava no levantamento de imagens, numa época que Internet era apenas um sonho doido futurista. Trabalhando lá, vira e mexe, trazia para casa caixas e caixas de revistas, para minha mãe e pra nós. Meu irmão não curtia ler, mas eu adorava cada gibi que ele trazia, e ele também adorava mostrá-los e ler pra mim. Minha mãe, gerente de banco, prática, observadora, também incentivava que eu lesse, mas não era a mesma coisa… Para ela, isso era apenas um investimento para que eu ficasse mais inteligente, ou uma maneira de me manter quieta por uns segundos; era dele essa coisa lúdica e mais profunda da leitura e da música. Me lembro que quando ele me levava na editora, eu simplesmente delirava vendo tanto papel, tanta gente concentrada e aquele barulho ensurdecedor das máquinas de escrever, e quando me lembro disso, penso que é uma pena que eu não tenha levado adiante o sonho de ser jornalista. Era meu pai também quem trazia pra casa os discos com as poesias do Vinícius de Moraes, e aqueles almanaques gigantes cheios de informações. Tínhamos um orgulho danado quando o nome dele saía nos créditos da revista, mesmo que fosse pequenininho e num cantinho: “Pedro Álvares Cabral – acervo fotográfico” ( sim, meu pai se chamava Pedro Álvares Cabral… Aceito resignada as gozações ).

Quase me perdi no meio das lembranças, que eram só para contar como descobri o personagem que mais adoro na vida, o Horácio ( sim, eu o adoro mais do que a própria Mafalda rs ). Desde pequena, era ele o dono do meu coração, ainda que eu achasse muita graça no caipirês do Chico Bento ou na braveza da Mônica.

Horácio é um filhote de dinossauro que representa a sacada mais filosófica do Maurício de Sousa. Por mais de 30 anos, foi ele mesmo quem desenhou todas as histórias do personagem, pessoalmente, e sozinho. Dá para ver o carinho especial que o autor da Turma da Mônica tem pelo Horácio na quantidade de produtos e no destaque que é dado a ele em todas as produções da turma, ainda que as histórias nos gibis sejam raras. Pode-se ler muitas tirinhas clicando aqui.

Meigo, observador, companheiro e muito sensível, Horácio perambula pelo mundo antigo sem pressa. A ele só interessa fazer duas das coisas mais difícieis e ao mesmo tempo mais maravilhosas que há para se fazer: PENSAR e SENTIR. Ele gosta de alface, e tem uma namorada, Lucinda, de quem foge, apesar de amá-la muito. Há também os amigos – Tecodonte e Pterodáctilo Alfredo, que é o protaginista dessa tirinha linda que está aí embaixo. Sem saber de sua origem, passa muitos de seus dias procurando sua mãe, e lamentando a falta dela. Gosta de dar conselhos e ser simpático com todos, ainda que de vez em quando tenha acessos justíssimos de raiva e sarcasmo.

Metafórica e sutilmente, aqueles assuntos difíceis ( mas necessários ) de serem tratados com as crianças eram expostos naqueles desenhinhos. Nas tirinhas do Horácio, eu e meu pai líamos sobre tudo – morte, ausência, medo, falta, indignação, amor, humor, desigualdade, saudade, preconceito, beleza, relatividade, pensamento, Deus, admiração, apatia… E principalmente a importância de olhar para tudo a nossa volta com olhos atentos e cheios de vontade de aprender. Não é à toa que esse dinossaurinho tem os braços minúsculos e os olhos enormes. Nunca conversávamos sobre o conteúdo das histórias. Meu pai era um homem simples, que estudou pouco, e talvez não tivesse palavras bonitas pra me dizer. Mas também não precisava. As histórias, em si, já eram tudo o que eu precisava, presentes lindos que ele me dava todas as semanas e que fazem parte de mim até hoje.

Hoje, 20 e tantos anos depois, eu ainda leio o Horácio, e aprendo com cada historinha como se ainda fosse uma criança descobrindo o lado bom e o lado cruel do mundo. Mas se há uma coisa que é fascinante nesse personagem, é o otimismo. Mesmo quando sofre, mesmo quando se desaponta, mesmo quando não sabe o que dizer ou fazer, ele sempre tem algo de esperançoso ou alegre pra dizer no quadrinho da palavra fim. E não se trata de uma questão de ingenuidade, mas sim de inocência; mesmo conhecendo o mundo falho como ele é, ele prefere acreditar no lado bom das pessoas e da natureza. Vida longa ao Horácio que há dentro de nós… Muito longa.




EXPEDIENTE

* O contador voltou, e estamos no número 14 020… Começa a contagem regressiva para o visitante 15 000. O felizardo ou felizarda vai ganhar um presente surpresa, um cartão e, se morar em Sampa, um jantar pago num lugarzinho gostoso e/ou um cineminha na faixa. rs Mas não precisam correr… Ainda falta muito. Hehe.

* Obrigada ao Andy, que me ajudou com a edição de imagens deste post. :-)

* Mesmo sem saber direito o que é isso, também faço parte do Orkut; faz tempo que este moço me convidou, eu topei… Mas ainda não sei mexer nas ferramentas do programa. Uma hora eu aprendo… Quem quiser me cadastrar, esteja à vontade. :-)

* Vi que algumas pessoas me cadastraram no msn messenger através do email mafaldacrescida@hotmail.com. Na verdade, uso pouco esse email, e menos ainda acesso o messenger por ele. Por isso, quem quiser me achar, pode me cadastrar no meu outro email, karicabral@hotmail.com , e qualquer hora dessas conversamos em tempo real, o que será um prazer.

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