Entrelinhas do Cotidiano





TENHO MEDO DE GENTE…

Cats: Entrelinhas do Cotidiano

Wed - 18 Aug 2010 - 10:18 AM

Quem me conhece sabe que, se tem uma coisa que eu não sou… É medrosa. Sou daquelas que escolhe ignorar o perigo na maioria das situações e arriscar, muito. Mas ultimamente, quando o mundo tem ficado cada vez mais maluco e estranho, eu estou reparando que ando ficando com medo de gente.

Tenho medo de gente que olha torto, que desconfia de todo mundo, que coloca palavras na sua boca sem você nem perceber. Gente maldosa e leviana, que sequer percebe quando faz mal a alguém, e se percebe, não sente culpa. Tenho medo de gente que não fica preocupado ou não perde um segundo de sono ao magoar um coração, gente que sempre está por perto pra fazer um comentário sutil que coloque em dúvida a integridade e a boa vontade dos outros. Gente assim me deixa muito amarga.

Tenho medo de gente que não sabe no que acredita, não escolhe nenhum lado, não tem nenhum ideal. Gente que não lembra direito quais são seus princípios, que não tem fé em nada, gente que parece vazia e sem objetivos, gente que passa pela vida sem fazer nem ser absolutamente nada de relevante nem por si mesmo nem por ninguém. Gente que nunca, nunca diz nada que se aproveite, e que parece que está pelo mundo a passeio. Gente assim me deixa desanimada.

Tenho medo de gente que fala com você olhando pro outro lado, que mente pra se safar, que não assume o que pensa e o que diz, que faz fofoca, lança boato, e cochicha no ouvido coisas más sobre alguém que, cinco minutos antes, você viu ela abraçar, sorrir e beijar. Gente que engana, que finge que não vê, que passa o pano – não por fraqueza ou por amor, mas por preguiça e por interesse mesmo. Gente que faz elogio vazio, comentário pomposo, gente mais falsa que nota de três reais. Gente assim me deixa assustada.

Tenho medo de gente que fala do seu cabelo, do seu carro, do seu namorado, da sua família, da sua roupa, dos seus talentos, dos seus sonhos, das pessoas que amam você com olhos roxos de inveja. Gente que não consegue nada na vida, de nenhum jeito, e te culpa por ter conseguido, querendo que você perca. Gente que ri de canto quando acontece algo ruim com você, que te abraça, acarinha e consola sentindo prazer em te ver no chão. Gente assim me deixa seca.

Tenho medo de gente que grita com todo mundo, xinga, faz barraco, que acha que suas razões são sempre melhores que as dos outros. Gente que não pensa duas vezes antes de agredir, humilhar alguém. Gente grossa, que atrás do rótulo de sinceridade e respeito a si mesma, desrespeita e atropela quem estiver pela frente. Gente que joga o carro em cima do seu no trânsito, que empurra você na rua, que grita com o funcionário do supermercado, que não agradece uma gentileza ou favor, gente nervosinha e cheia de motivos. Gente assim me deixa raivosa.

Tenho medo de gente que sabe de tudo, que tem tudo, que conhece tudo, que tudo já passou, que tudo já leu, que tudo já viu e ouviu, que tudo sente, que tudo que tem pra conquistar já conquistou, que tem o melhor conselho, que sempre faz a  melhor escolha, que sempre sabe o que é certo e o que é errado, que tudo seu é melhor. Gente que nunca erra. Gente assim me deixa enjoada.

Tenho medo de gente que levanta o dedo pra acusar os outros. Que diminui os outros por causa de sua aparência, sua origem, sua classe social, seu jeito de ser ou pensar – e acha isso perfeitamente normal. Tenho medo de quem não aceita os erros dos outros, que é o primeiro a acusar e exigir punição em nome de uma falsa moral e ética – moral que apenas esconde uma enorme intolerância. Tenho muito, muito medo de quem gosta de vingança, de quem levanta a voz pra expor alguém que errou, não pelo medo da omissão, mas pelo prazer do ataque. Gente assim me deixa com nojo.

Tenho medo de gente que não pensa. E tenho medo de gente que não sente. Gente assim me deixa mais fria.

Tenho medo de gente que não enxerga o pedido de ajuda de outro ser humano, seja ele quem for. Gente que não sente um pingo de culpa quando vê um mendigo, uma criança abandonada, uma pessoa dormindo na rua. Gente que não se incomoda quando vê outro sofrendo. Gente que se apóia em milhares de explicações racionais para justificar a sua preguiça, o seu egoísmo, o seu partidarismo, a sua discriminação. Gente covarde, que não dá a cara a tapa pra defnder ninguém além de si mesmo, gente que primeiro pensa no que vai levar  de bom antes de se envolver em uma causa. Gente assim me deixa incrédula.

Sei que todo mundo tem suas fraquezas, e admiro quem luta pra ser diferente do que é. E sei que tem muita, mas muita gente mesmo diferente disso tudo, gente que, na essência, é gente boa. E essa gente não me provoca medo, e sim carinho, amor, esperança, tranquilidade… Alegria.

Mas escrevendo isso tudo, eu percebi por que tenho medo de certas gentes. Elas revelam um lado obscuro, podre e triste do ser humano. E, principalmente, elas provocam coisas ruins em mim também. Coisas que eu luto pra afastar. Coisas que eu não quero ser.

Embora a gente não escolha as coisas pelas quais vai passar na vida, a gente sempre pode escolher o que quer ser.

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DICA DE MÃE

Cats: Entrelinhas do Cotidiano, Poemas, Sobre Cultura e Arte

Mon - 12 Jul 2010 - 12:22 AM


Se você…

* Mora em São Paulo ou imediações;

* Gosta ( ou quer aprender a gostar ) de ler e/ou escrever;

* Gosta de aprender coisas novas;

* Gosta de desafios…

Não deixe de clicar para conhecer o Curso de Iniciação ao Texto Literário do Museu Lasar Segall.

A proposta do curso é usar a língua de maneira reflexiva e contextualizada. Ao contrário da maioria dos cursos de “redação”, esse não é apenas um desfilar de técnicas pobres. As aulas estimulam a criação e a reflexão sobre a língua e sobre a vida.

O professor Gilson Rampazzo é sério  meio ranzinza, mas sabe tirar o melhor das pessoas, é genial e inteligentíssimo. A professora Áurea, pelo que soube, é igualmente ótima. Muita gente que vocês conhecem como bons letristas, poetas e escritores passaram por eles.

Divulgue a proposta a quem mais possa interessar!

Valeu a pena, e vai continuar valendo fazer o segundo módulo. :-)

Curso de Iniciação ao Texto Literário

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34

Cats: Entrelinhas do Cotidiano

Sun - 04 Jul 2010 - 02:03 AM

Levou 34 anos para que eu aprendesse…

A diferença entre a leveza e a indiferença,
Entre a prudência e a covardia,
Entre a auto-estima e o egoísmo,
Entre a sinceridade e a grosseria,
Entre a admiração e a inveja,
Entre a beleza e a aparência,
Entre o perdão e a hipocrisia,
Entre a dor e lamentação.

Levou 34 anos para que eu descobrisse…

Que o sonho é mais importante que a realização,
Que os ideais são mais importantes que o dinheiro,
Que a fé é mais importante que a certeza,
Que o carinho é mais importante que o tesão,
Que o gesto é mais importante que a palavra,
Que a alegria é mais importante que a razão,
Que o amor é mais importante que a posse,
Que o mistério é mais importante que o controle,
Que a surpresa é mais importante que o plano,

Que o coração é mais importante que o compromisso,
Que a fé é mais importante que a cura.

Levou 34 anos para que eu percebesse…

O quanto tudo que é maldade, aparece,
Tudo que é mal acabado, volta,
Tudo que é triste, passa,
Tudo que é feliz, passa também,
Tudo que é superficial, morre,
Tudo que é feito em verdade, dura,
Tudo que é demais, cansa,
Tudo que é de menos, frustra,
Tudo que é mal feito, quebra,
Tudo que é complicado, o tempo trata de descomplicar.

Levou 34 anos para que visse…

A vida na morte,
O medo no desdém,
O destino no inexplicável,
O bom no bem.

Levou 34 anos para que eu celebrasse…

Minha saúde,
Meus amigos,
Minha vida,
Minha família,
Meus amores,
Meu trabalho,
Meus talentos,
Minha capacidade,
Minha criatividade,
Minhas oportunidades…
E principalmente a vontade de continuar vivendo.

Façam muitas manhãs, que se o mundo acabar, eu ainda não fui feliz… Há tanto ainda por aprender.

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POETANDO… III

Cats: Entrelinhas do Cotidiano, Poemas, Sobre o Amor

Wed - 28 Apr 2010 - 09:40 PM

Proposta: Fazer um poema aliterando o P e o B. Nesse ganhei um aceno simpático do professor, e um tímido, “é, tá bom”.

Estou melhorando!


PAR

Peito comprimido
Repara o partido,
Limpa o aprendido,
Tampa o abismo,
Apaga os rabiscos.

Trabalho cumprido…
Aparece o par.

É bom se preparar.
Par promete,
Desperta,
Apega…
E pronto:
Já é par.

Par põe pausa no tempo,
Par paga pecado perdoado.
Par pinta exuberantes primaveras,
Par pisoteia poemas passados.

Par lapida brilhante bruto,
Par vibra corpo aprisionado.
Par pesca beleza no assombro,
Par provoca paladar apurado.

Par pastoreia rebanho perdido,
Par publica particular acobertado.
Par põe bossa em paisagem,
Par tomba patrimônios deslembrados.

Par procria palavras e beijos,
Par aprofunda o personagem captado.
Par abrasa febres submersas,
Par abranda espírito perturbado.

Par paraíso,
Par parceiro,
Par paixão.

É bom se preparar.
Tempo passa.
E passando, pega o par.

E par, borboleta abusada,
E par, pássaro obstinado,
E par, barco caprichoso…

Parte.
E no partir,
Comprime o peito,
Obriga a pobre espera,
Obriga o penar abandonado,
Obriga o ímpar.

Até brilhar um outro par.

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VERDADES

Cats: Entrelinhas do Cotidiano

Mon - 05 Apr 2010 - 12:43 AM

Quando estudava Psicologia, levei um grande susto quando me disseram que a Verdade é algo relativo. A professora, calmamente e com um sorriso compreensivo no rosto, ao conduzir um estudo de caso, ouviu um de meus colegas dizer que a paciente havia mentido ao distorcer informações reais e óbvias. E ela disse, isso não nos interessa. A verdade dela é o que ela nos diz… E é com essa verdade que temos que trabalhar.

Do alto dos meus 18, 19 anos, eu achava que a verdade era uma só. Conforme fui conhecendo as pessoas, percebi que cada um tem a sua verdade, mesmo quando ela não condiz com os fatos empíricos e objetivos da realidade. Meu time preferido é o melhor de verdade, minha religião é o caminho da verdade, minhas opiniões são as verdadeiras, o jeito que eu vejo as coisas é o jeito certo de ver. A verdade, nesse sentido, tem muito mais a ver com o que se acredita do que com o que se vê – está muito mais próxima da fé do que dos fatos científicos.

Pensando sobre a verdade, passei também a pensar sobre a mentira. Tem, sim, quem minta descarada e deslavadamente, esperando, com isso, safar-se de uma situação difícil, ou manipular as pessoas, ou conseguir algo que não teria se dissesse o que realmente pensa e o que realmente vê. E para essas pessoas, a mentira se torna um vício pernicioso e incontrolável, simplesmente porque é o caminho mais curto, o mais fácil.

Mas, nem todo mundo que mente, mente intencionalmente. Para alguns, a realidade é tão pobre e tão medíocre que precisa ser enfeitada, acrescentada de detalhes que a deixam mais bonita. Para outros, a realidade é tão difícil que precisa ser reinventada, fantasiada, sublimada em devaneios mais alegres e amenos. Para alguns, ainda, a realidade é tão dura de aceitar que precisa ser negada, esquecida, superada… Coberta por uma realidade alternativa, que seja mais suportável. E outros são tão covardes que simplesmente fecham os olhos para o que acontece, preferindo ficar na escuridão. Todos eles, de alguma forma, mentem sobre o que realmente percebem. Mais do que mentir para outros, mentem para si mesmos. E essa é a mentira mais triste que existe… E a mais difícil de ser desconstruída. Mas talvez não devam ser chamadas de mentira… E sim de “verdade pessoal”, como minha professora ensinou. É reconhecendo – não ignorando nem atacando – essas mentiras verdadeiras, ou verdades mentirosas, que conseguimos penetrar no universo pessoal de alguém.

Sim, muitas vezes a realidade pode ser facilmente ignorada e substituída por verdades pessoais.

Mas há algumas verdades que não podem ser negadas. São verdades que estapeiam nossa cara, que ficam lá, pulando na nossa frente, mostrando-se, exibindo-se, verdades que não sossegam enquanto não se fazem ser conhecidas. Verdades que se relacionam à justiça, à decência, ao cuidado com o outro, à ética, à coragem, ao amor, à virtude. Essas verdades assombram, dão medo e nos fazem sentir tristes, muitas vezes, porque nos colocam diante da nossa limitação humana… Nos colocam no nosso devido lugar. Verdades que não podem ser negadas são aquelas que nos perseguem, que fazem barulho na porta, que nos incomodam, como coceiras que não podem ser ignoradas, como um espirro que não pode ser barrado. Verdades que nos deixam em total estado de desconforto, e muitas vezes, em choque. Verdades que nos quebram inteiros e nos colocam em pedaços.

Mas aí que está o maior milagre de tudo isso. Assim que são finalmente vistas e encaradas, essas verdades, que não são nem um pouco relativas, mostram-se maravilhosas e fiéis amigas. São capazes de nos recompor, de nos fazer melhores, de nos dar a paz da consciência tranquila, de nos abrir caminho para um novo e espetacular horizonte. Verdades que precisam ser vistas, ao serem vistas e reconhecidas, nos enchem de dor… Mas também de esperança.

E foi o próprio Jesus Cristo quem explicou, uma vez, o porquê:

“…E conhecereis a verdade… E a verdade vos libertará.”

( João 8:32 )

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POETANDO…

Cats: Entrelinhas do Cotidiano, Sobre o Amor, Sobre o Blog

Wed - 31 Mar 2010 - 11:47 PM

Pra quem não sabe, estou fazendo o curso de Iniciação ao Texto Literário no Museu Lasar Segall, com o professor Gilson Rampazzo.

É um excelente curso pra quem realmente quer aprender a escrever, mas não vou contar por que pra estimular a inscrição dos curiosos interessados. Por hora, só posso dizer que é fantástico.

Mas a minha maior surpresa foi saber que, para começarmos o trabalho, vamos focar no poder da palavra. E para tanto, aprenderemos a escrever POEMAS. Gelei. Poemas? Puxa, eu que sempre admirei os poetas, como poderia me atrever a escrever poemas? Mas o professor, experiente, disse com muita convicção: qualquer pessoa é capaz de escrever poemas. Basta começar.

E depois de uma aula maravilhosa sobre poesia, ele mandou que começássemos, escrevendo um poema sobre ÁGUA. Foi um parto! Mas saiu alguma coisa.

Com essa experiência, descobri quatro coisas:

1. De fato, qualquer um é capaz de escrever poemas;

2. Minha escrita é sentimental demais;

3. Eu sou capaz de ler um texto meu em voz alta para uma platéia, coisa que jamais achei que poderia fazer;

4. É muito interessante ser avaliada de verdade, e ao vivo, por aquilo que escrevo.

O poema é ruim, mas por ter me feito chegar a tudo isso, acredito que ele mereça o registro.

ÁGUA

Se assopras em meus lagos,
Faço ondas arrepiadas
Que distorcem tua imagem
No espelho de minhas águas.

Se me congelas com teu hálito,
Solidifico, torno-me neve.
Fico densa e compacta,
Muito forte, muito breve.

Se me tocas com teu sol,
Derreto toda em um instante.
Subo leve e eufórica,
Evaporo livre e vibrante.

Se me chocas com teus ventos,
Chovo rápido e de repente.
Trovejo alto e irada,
Lavo o mundo, causo enchente.

Se me espremes em tuas margens,
Em meus olhos brota um rio…
Cai salgado em cachoeira,
Desce solto e arredio.

Se me enches com tua vida,
Sinto tudo completar.
Te contenho em abundância…
Tu desaguas no meu mar.

PS:. Passamos do visitante 200 000… Que lindo! :-)

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A MELHOR LEMBRANÇA

Cats: Entrelinhas do Cotidiano

Sat - 20 Mar 2010 - 01:55 PM

Esses dias, depois de uma dica do programa “Saia Justa”, fui atrás do delicado e interessantíssimo filme japonês “Depois da Vida”.

Fiquei muito tocada com a história, que resumidamente, é o seguinte: um grupo de pessoas, depois de mortas, são recebidas por guias que as ajudarão a responder a seguinte pergunta: qual foi a melhor lembrança que você teve na vida? Qual o momento que você gostaria de reviver para sempre? Essa lembrança será recriada e revivida na passagem para o paraíso, a única coisa que levarão de tudo que viveram aqui.

Claro, é uma dificuldade para qualquer um deles, como seria para qualquer um de nós. Perceber-se morto nada é comparado a difícil tarefa de, diante de uma vida inteira de contatos, alegrias, dores, conquistas e fracassos, escolher uma única coisa para levar pela eternidade. A melhor coisa.

Não conto o resto ( ao contrário desses caras, não sou estraga-filme ), mas posso dizer que fiquei pensando nisso. Se eu morresse hoje, agora, qual seria a melhor lembrança que escolheria para levar comigo pela eternidade? O que gostaria de recuperar incessantemente, o que valeria a pena guardar no lugar de tantas outras coisas importantes?

Fiquei lembrando de centenas de coisas que fizeram minha vida valer a pena. Lutas vencidas, sonhos realizados, surpresas agradáveis, carinhos esperados, ritos de passagem bem sucedidos. Andar nos ombros do meu pai, ser acarinhada pela minha mãe, ser abraçada pelo meu amor, dar risada com um amigo. Alegria, beleza, euforia, toque, amor. Primeiras e últimas vezes, olhares apaixonados, encontros… Sozinha e acompanhada. Quantos momentos felizes eu gostaria de levar, quantos outros momentos tristes que eu preferia esquecer. Talvez eu não fosse capaz de escolher um só.

Uma vez, estávamos na praia,  sorvete na mão. Doce e delicioso, como poucas vezes provei. Sentamos perto da pedra, apoiados um no outro, e olhamos o mar, silenciosamente, ao final da tarde. Não estava nem tão quente, nem frio. Tudo calmo, cheiro agradável, só o barulho e o balanço do mar, e um horizonte azul e laranja enorme, que parecia nunca ter fim. Um abraço bem forte, e eu deitei no colo dele. Ele passou as mãos no meu cabelo, e disse… Sabe, seja como for… Vai ficar tudo bem. Eu sorri. E senti muita paz. Foram intermináveis 10 minutos de silêncio e paz.

Pela eternidade eu queria carregar aquela sensação de tranquilidade, segurança e esperança de que, de um jeito ou de outro, vai ficar tudo bem.

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THE POWER OF GOODBYE

Cats: Entrelinhas do Cotidiano, Sobre o Amor

Thu - 18 Feb 2010 - 12:45 AM

Então é chegada a hora de desistir. De parar de insistir. De deixar ir. De não ir mais atrás. De aceitar a mudança. É chegada a hora de abandonar o sonho.

Eu, que tantas vezes falei sobre sonhos – os realizados, os perdidos, os roubados, os vendidos, os compartilhados, os recorrentes, os enterrados – hoje venho falar sobre os sonhos abandonados. Aqueles que a gente sonha com todo o carinho, mas chega a hora de admitir que não são pra nós. Chega a hora de admitir que temos de deixá-los para trás. Temos que parar de sonhá-los para que eles não nos consumam, para que não estraguem nossa própria capacidade de sonhar.

Não é muito fácil, e normalmente esse abandono só vem pela dor. É assim com aquele negócio que você queria tanto fechar, mas na última hora ficou sem recursos pra concluir. Assim com aquela cidade que você queria tanto viajar pra conhecer, mas que na hora de fechar o pacote, não havia vaga no hotel. Assim com aquele trabalho que você queria tanto fazer, mas bem na hora alguém fez antes de você. Assim como aquela pessoa que você ama tanto, mas tanto, e tanto, só que uma hora percebe que ela não ama você do mesmo jeito. É assim com aquele bebê que você queria tanto ter, ou com aquele carro que você queria tanto comprar, ou com aquele amigo que você queria tanto conservar, ou com aquela oportunidade que você não queria perder. Não deu. Simples assim. É hora de abandonar o sonho. Não que ele tenha morrido, mas precisa ser deixado como está, incompleto e triste em sua essência, amarrado ao passado. Uma cruz na beira da estrada, uma canção inacabada, algo que tinha tudo pra ser, mas não foi. Simplesmente deixado. E a atitude tem que vir de você.

E não é fácil. Dói. Um sonho abandonado precisa ser encarado antes de ficar para trás. E olhar pra ele dói. Dói porque desistir de um sonho cultivado é desistir de uma parte de si mesmo. A gente investe energia, investe tempo, investe dinheiro, investe coração, investe esforço. Mas se não dá, não dá. Aposta errada. É necessário aceitar isso para seguir em frente.

Não acho que investir em um sonho, seja ele qual for, seja tempo perdido. Nunca é. Como disse o sábio Ulisses enquanto fazia sua Odisséia, o importante é o caminho, não a chegada. Mas é verdade que nos custa admitir que a vida, que tantas vezes se mostra plena, bela e voluptuosa, também sabe se mostrar mesquinha e medíocre, e nos negar o que mais desejamos. E por isso dói a desistência. Desistir é prova do nosso fracasso, mas não desistir é prova da nossa teimosia, da nossa burrice. É preciso deixar ir.

Não deixar isso virar amargura é uma tarefa difícil, mas não impossível.

Madonna, na canção abaixo, fala sobre o poder do adeus. Dar adeus a um sonho, seja ele qual for, dói, sim. Mas é libertador. Extremamente libertador. E hoje eu vou cantar com ela, do fundo do meu coração.

Não sei que imagens meu inconsciente me trará daqui a pouco quando eu for dormir as poucas horas que me restam até amanhã, mas sei que hoje algo foi abandonado aqui dentro, por mim. Estou cansada de tentar realizar aquilo que não é pra mim. Cansada de ser deixada em segundo plano por meus próprios sonhos cultivados. A vida precisa se renovar em mim. E assim será. Simplesmente porque eu decidi dizer adeus ao que não pode ser realizado. Vou sentir saudade, claro que vou. Mas quero e preciso ir mais longe, mais alto, mais distante. E irei… Porque amanhã vai ser dia de sonhar outros sonhos. Mais lindos e mais intensos.

Então, adeus sonhos antigos. Foi bom enquanto durou. Mas agora há outros horizontes a enxergar, porque meus olhos também estão novos.

Your heart is not open, so I must go.
The spell has been broken, I loved you so…
Freedom comes when you learn to let go,
Creation comes when you learn to say no.

You were my lesson – I had to learn.
I was your fortress – you had to burn.
Pain is a warning that something’s wrong
I pray to God that it won’t be long…
Do you wanna go higher?

There’s nothing left to try,
There’s no place left to hide,
There’s no greater power
Than the power of good-bye.

There’s nothing left to lose.
There’s no more heart to bruise.
There’s no greater power,
Than the power of good-bye.

Learn to say good-bye…
I yearn to say good-bye…

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CARTAS…

Cats: Entrelinhas do Cotidiano, Sobre Pessoas

Wed - 10 Feb 2010 - 10:26 PM

Quando a Internet não passava de um sonho maluco em algum roteiro de ficção científica… Eu aprendi a escrever cartas.

Me lembro do prazer imenso ao escrevê-las, para os de perto ou  de longe. A escrita sempre foi um jeito genuíno de expressar aquilo que sinto. E em que outro tipo de texto podemos derramar mais emoção do que em uma carta? Nenhum outro é mais pessoal do que esse.

Na minha caixa de guardados, elas estão lá. Muitas, muitas cartas, vindas de todas as partes do país, e algumas de outros lugares do mundo. Cartinhas simpáticas de amizade, bilhetes, cartas de amor, cartões, postais, cartas solenes, declarações. O cabeçalho geográfico no começo, o meu nome escrito logo depois de algum adjetivo, e linhas bem traçadas, assinadas quase que invariavelmente “com amor”. Algumas com meia página, outras verdadeiros tratados em folhas e mais folhas – frente e verso. Letras caprichadas, outras quase ilegíveis ( e dizem que se pode conhecer muito de alguém por sua letra ). Papéis de todos os tipos, canetas de todas as cores e jeitos. Cada carta me lembra alguém querido, que se foi, ou ainda está, mas que um dia me emocionou com seu carinho e dedicação de cansar as mãos me escrevendo sobre o que estava vivendo, pensando ou sentindo. Pessoas que fizeram minha caixa de correio ser nuito mais do que um depósito de contas a pagar e propagandas de coisas que não quero comprar.

Escrevíamos cartas com correntes para receber outras tantas milhares de cartas… Cartas com perfume e com presentinho escondido dentro do papel… Colecionávamos papéis de carta que não tínhamos coragem de usar… Passávamos horas na papelaria escolhendo o melhor, da caneta ao envelope… E ali, por trás das voltas de cada letra, estavam nossos sentimentos, notícias, impressões, bobagens… Lágrimas e sorrisos.

Lembro de uma amiga em especial, a melhor amiga, que foi morar no Japão. Ela me escrevia uma vez por semana, me contando da angústica de estar só em um país estranho, enquanto eu escrevia daqui, tentando compensá-la, dando notícias de todos e falando da nossa saudade. Escrever aquelas cartas, segundo ela me disse, ajudou-a a manter a sanidade.

Lembro também de outra amiga, tão doce, que me mandava cartas e sempre anotava no envelope uma mensagem simpática para o carteiro, transbordando carinho para o envelope.

Lembro também do carinhoso namorado, a quem eu escrevia intermináveis cartas declarando meu amor, ou discutindo a raiva, o ciúme, a tristeza e o medo que a voz embargada me impedia de confessar olho no olho.

Com o tempo, escrever cartas passou a fazer parte do passado, um hábito enterrado por essa correria maluca que nos faz achar um absurdo parar para escrever a mão quando é tão mais rápido digitar no teclado; não temos tempo para comprar o papel, a caneta, o envelope, para passar no correio, e nem paciência para esperar o carteiro chegar. Demorar e esperar passaram a ser verbos ingratos em tempos de 140 caracteres e mensagens via celular.

Mas a carta… A carta é diferente. Ela é um ato de carinho muito especial. Ela é contato. Dá uma emoção diferente, saber que o papel foi tocado pela pessoa que escreveu… É bonito ver a letra mais firme ou mais tremida, a marca da lágrima no papel manchando a tinta de caneta, o amarelado do guardado, a dedicação do escritor e do leitor.

Dia desses, estimulada por esta menina maravilhosa e pelo meu amigo Emanuel, que me escreve belas palavras manuscritas, resolvi acariciar alguns amigos via correio. Escolhi dez queridos – entre eles, alguns leitores assíduos deste blog – e escrevi cartas. Foi uma experiência deliciosa, que tocou o meu coração e me aproximou das pessoas, pelo que foi escrito e pelo jeito que foi escrito. Tendinite e atrapalhações de tempo à parte, a experiência valeu muito a pena… E já recebi, contente, respostas na minha caixa de correio que muito, muito me alegraram, e me animaram a escrever mais e mais cartinhas.

E hoje peço aos amigos queridos e amores que escrevam e-mails, mandem recados via SMS, marquem encontros, telefonem, apareçam no Twitter e nas redes sociais. Mas também escrevam cartas, cartões e bilhetes que possam se somar às lembranças de amor e amizade que todos nós adoraríamos ter. E eu tenho… Que bom.

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RAINING…

Cats: Entrelinhas do Cotidiano, Listas!, Sobre Cultura e Arte

Sat - 06 Feb 2010 - 06:26 PM

Minha natureza interior sempre adorou água. Em meus sonhos, lagoas, mares, poças, rios, cachoeiras, banheiras, bicas, torneiras… E chuva, muita chuva. Tudo isso sempre me ensina muito sobre o que estou sentindo. Aprendi que água é símbolo de emoção. As minhas, sempre tão represadas, se soltam em meus delírios oníricos noturnos, me lavando por dentro.

Chuva fininha é melancólica, porque normalmente é gelada, constante, pouco agressiva e sem hora pra acabar. Chuva de granizo é forte e destruidora, deixa a gente espantado com a força da natureza. Cheiro de chuva no asfalto é meio sufocante, cheiro de chuva na terra é gostoso e revitalizante, provoca um sentimento diferente. Chuva de verão é grossa, rápida, passageira, refrescante e dá a impressão que lava tudo com ela, que leva tudo com a enxurrada. Chuva com raios e trovões dá medo por fazer tremer a terra, insistindo em chamar a atenção. E chuva normal, batendo no vidro da janela, acaba fazendo a gente pensar na vida, essa vida estranha e encantadora. Eu tinha esquecido como é bom sair andando debaixo de chuva, sentindo a água massagerar a cabeça, cair nos ombros, encharcar a roupa.

Já são quase 50 dias seguidos de chuva aqui. Impossível ignorá-la. Resta aceitá-la e saboreá-la conforme for possível.

Canções que coloquei no meu “CD para curtir os finais de tarde em São Paulo”.

“Santa Chuva”, Marcelo Camelo


“The Rain”, Roxette.

“Medo da Chuva”, Raul Seixas

“Rain”, Madonna

“Lágrimas e Chuva”, Léo Jaime

“The Rhythm of the Rain”, The Cascades

“Deixa Chover”, Guilherme Arantes

“Raindrops”, B.J. Thomas

“Chuvas de Verão”, Caetano Veloso

“Crying in the Rain”, A-Ha

“Quando Chove”, Patricia Marx

“Have you Ever Seen the Rain?”, Creedence Clearwater Revivel

“Águas de Março”, Tom Jobim e Elis Regina

“Rainy Day”, 10,000 Maniacs

“A Tempestade”, Zelia Duncan e Lenine

“Pray for Rain”, Massive Attack

“Chove Chuva”, Jorge Ben Jor

“It´s Raining Again”, Supertramp

“Primeiros Erros”, Capital Inicial e Kiko Zambianchi

“Remember When it Rained”, Josh Groban

“Será que Vai Chover?” Paralamas do Sucesso

E você, qual é a trilha sonora da sua chuva? ;-)

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